A história do saneamento básico na Idade Média
A história do saneamento básico na Idade Média

No início da Idade Média (século V d.C. ao século XV d.C.), com a queda do Império Romano no Ocidente, surgem novas regiões como Gália, Bretanha, Germânia, Espanha, Portugal e novas organizações socioeconômicas que se consolidam no sistema feudal. A água é entendida como um elemento vital para o desenvolvimento econômico. Rodas d´água e moinhos foram projetados para fornecer força motriz na moagem, tecelagem, tinturaria e curtimento, atividades de transformação de propriedades dos senhores feudais.

A população da Europa tinha um consumo de água de apenas um litro por habitante, diariamente. O abastecimento de água era feito por meio da captação direta dos rios, diferente das práticas romanas de captar a longas distâncias, trazendo um retrocesso do ponto de vista sanitário. O baixo consumo acarretou em graves consequências à saúde pública. Com as crises econômicas, políticas e religiosas, a prática adotada era de construção de muralhas e fossos ao redor das cidades. Com a queda de Roma, o conhecimento ficou arquivado em mosteiros religiosos e só foi revelado algo sobre saneamento em 1425, quando Gian Francesco Poggio encontrou o texto escrito por Frontinus, intitulado de “De Aqvis vrbis Romae”, que continha ensinamentos sobre hidráulica, o saneamento e sua gestão, ignorados durante toda a Idade Média.

A titularidade sobre a água foi redefinida e fragmentada nas mãos dos aristocratas laicos e dos eclesiásticos. A água deixou de ser um recurso público, gerenciado pelo governo, passando a ser gerenciado coletivamente pelos cidadãos. Parte do consumo diário das famílias era garantida por meio da compra de água transportada por carregadores. Grande parte da população escavava poços no interior de suas casas, que acabavam contaminados devido à proximidade de fossas e esterco de animais, contribuindo para o avanço de doenças em um período de grandes epidemias. Cólera, lepra e tifo eram comuns na Europa, além da peste negra, ou bubônica, transmitida ao homem através da pulga de ratos, que infectou metade da população e dizimou cerca de 1/3 da população Europeia. Na China e na Índia o panorama não foi diferente, mais de 23 milhões de pessoas foram levadas a óbito em menos de 12 anos. Atualmente, há cerca de 2000 casos da peste negra por ano em todo o mundo, concentrados nas regiões em que há roedores infectados.