A história do saneamento básico na Idade Antiga
A história do saneamento básico na Idade Antiga

Desde a antiguidade o homem aprendeu, por experiência própria, que a água suja e o acúmulo de lixo, transmitem doenças e que é preciso adotar medidas para dispor de água limpa e, livrar-se dos detritos. Assim iniciou-se a ideia do saneamento básico. A palavra “sanear” vem do latim sanu, que significa tornar saudável, habitável, higienizar e limpar.

O saneamento é um conjunto de medidas para preservar as condições do meio ambiente, prevenindo doenças e melhorando as condições da saúde pública. As principais atividades do saneamento básico estão ligadas à coleta e tratamento de resíduos produzidos pelo homem, como esgoto e lixo, tornando-os inofensivos à saúde. Outra atividade importante é o fornecimento de água de qualidade para a população.

Na idade antiga (Até o século V d.C.), o ser humano desenvolveu algumas técnicas importantes, como irrigação, construção de diques e canalizações superficiais e subterrâneas. Medidas sanitárias foram tomadas, como o tratado de Hipócrates “Ares, Águas e Lugares”, que informava aos médicos sobre a relação entre o ambiente e a saúde. Filósofos como Platão e Aristóteles se preocupavam com a qualidade da água e com medidas sanitárias.

Na Grécia antiga, já havia o hábito de enterrar as fezes ou as afastarem para um local distante de suas residências. Em Roma, ruas com encanamentos serviam de fontes públicas, e para evitar doenças, separavam as águas servidas do abastecimento de água para a população. Os sumérios iniciaram a construção de sistema de irrigação de terraços. O Egito iniciou o controle do fluxo de água do rio Nilo, com a projeção dos níveis de água durante os períodos anuais, sistema de irrigação, construção de diques e a utilização de tubos de cobre no palácio real do faraó Keóps.

Iniciou-se a construção de galerias de esgoto em Nippur, na Babilônia, a primeira galeria de esgotos da história. No Vale do Indo, foram criadas ruas com canais de esgoto cobertos por tijolos, banheiras e privadas com lançamento de dejetos para os canais. Acondicionamento de água em vasos de cobre, exposição ao sol, filtragem com utilização de carvão ou cascalho e imersão de barra de ferro aquecida. Em Nimrud iniciou-se a construção de um sistema de esgoto.

Em 3200 a.C., no Vale dos Hindus foi utilizado o primeiro sistema de águas e drenagem. Os povos orientais iniciaram a criação de reservatórios de terra e utilização de captação subterrânea de água. Egípcios e Chineses já utilizavam métodos de perfuração para obter água do subsolo em 2500 a.C. Quinhentos anos mais tarde, a civilização egípcia utilizava sulfato de alumínio para a clarificação da água. Na Índia, haviam escritos em Sânscrito sobre os cuidados que deveriam ser tomados com a água a ser consumida, armazenamento em vasos de cobre, filtração através de carvão, purificação por fervura no fogo, por aquecimento ao sol ou pela introdução de uma barra de ferro aquecida na massa líquida, seguida por filtração em areia e cascalho grosso. Em 1500 a.C., os egípcios iniciaram o processo de decantação para a filtração da água.

Entre Belém e Hebron, foram construídas as represas de Salomão, onde eram implantadas grandes cisternas para acumular águas da chuva e levantados reservatórios servidor por túneis de alvenaria, que abasteciam o templo e a cidade de Jerusalém, em 950 a.C.. O primeiro sistema de abastecimento de água foi criado na Assíria, em 691 a.C., o aqueduto de Jerwan. Foram construídos aquedutos para abastecer a cidade de Mégara e posteriormente a cidade de Samos, ambas na Grécia. Obras de elevação de água do Rio Eufrates foram iniciadas para alimentar as fontes dos jardins suspensos da Babilônia, no império de Nabucodonosor.

O Império Romano também desenvolveu seu sistema de abastecimento de água, o aqueduto Aqua Apia, com cerca de 17km de extensão,  em 312 a.C. Foi a primeira grande civilização a cuidar especificamente do saneamento, criando diversos outros grandes aquedutos, reservatórios, grandes termas, banheiros públicos, chafarizes e nomeando Sextus Julius Frontinus como Superintendente de Águas de Roma.

O saneamento está sempre relacionado ao surgimento e ao crescimento de cidades, que normalmente eram criadas em locais próximos a um grande rio, pois em suas múltiplas atividades os seres humanos precisam da água, seja para suprir suas necessidades básicas, ou, para limpar seus dejetos. Por um longo período, os conhecimentos adquiridos por uma civilização se encerravam com ela, e a cada nova civilização o conhecimento precisava ser redescoberto.

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