As provisões para crédito de liquidação duvidosa já subiram em 2015 e somaram R$ 29,4 milhões

A companhia de saneamento Aegea prevê um aumento no nível de inadimplência das famílias neste ano por conta da piora do cenário macroeconômico, com desemprego e impacto na capacidade de pagamento. A empresa disse já sofrer com atrasos nos pagamentos de clientes públicos, mas destaca que esse segmento representa uma parcela pequena, de cerca de 12%, do faturamento total.

A expectativa compartilhada com investidores e analistas em evento promovido ontem é de aumento nas provisões para crédito de liquidação duvidosa. Esse tipo de provisão subiu de R$ 6,4 milhões em 2014 para R$ 29,4 milhões, no ano passado. Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Aegea, Flávio Crivellari, para mitigar esse efeito podem ser tomadas algumas medidas como negociação de pagamentos e aumento da base da tarifa social.

A taxa de inadimplência de 180 dias cresceu de 4,6% em 2014 para 5,7%, no ano passado. A empresa diz que, em função do recente viés negativo do indicador, foram intensificadas as campanhas de incentivo às renegociações de contas em atraso e de adesão ao pagamento via débito automático.

As oportunidades de negócios, diz o presidente da companhia, Hamilton Amadeo, devem se concentrar em PPPs e aquisições. A empresa está trabalhando em seis projetos de PMIs (Procedimento de Manifestação de Interesse) que podem resultar em parcerias com governos estaduais e trava conversas para cinco possíveis aquisições — dentre as quais CAB Ambiental e parte da OAS Soluções Ambientais. Concessões municipais devem ter ano mais fraco devido às eleições.

Sobre o interesse em adquirir a CAB, ativo do grupo Galvão disponibilizado na recuperação judicial, Amadeo diz ser uma “boa oportunidade”, desde que seja realizado leilão em condições juridicamente seguras. “É um projeto no qual colocamos mais energia, estamos focados nisso, mas não vamos correr riscos que não valem a pena”. Ele diz estar pronto para fazer a compra se vier a oportunidade, embora pondere que a CAB vem acumulando problemas regulatórios que precisam ser resolvidos.

A Aegea encerrou 2015 com lucro líquido de R$ 117,8 milhões, alta de 5,5% em relação a 2014. A receita líquida subiu 32,6%, chegando a R$ 795 milhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) somou R$ 402,6 milhões, com alta de 36,5%.

Fonte: Valor Econômico

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