Enquanto uma parte das empresas tem necessitado enxugar operações, a companhia de saneamento Aegea vive um “excelente momento” para aumentar de tamanho, na avaliação de seu diretor financeiro, Flávio Crivellari. E já se articula para garantir uma estrutura para esse objetivo.

O ajuste fiscal, aliado à Operação Lava-Jato, deixou a empresa em um ambiente de maior demanda com menos concorrência, explica. Isso porque a falta de recursos tem levado municípios a fazer licitações de serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Também abriu mais espaço o fato de grandes empresas, casos de CAB Ambiental e Odebrecht Ambiental, terem controladores investigados por irregularidades em contratos da Petrobras e estarem em situação financeira difícil.

A estratégia é aproveitar as oportunidades, porém, com cautela. “Estamos em um ótimo momento, mas precisamos ser muito seletivos. Exposição de capital e liquidez são temas chave este ano para qualquer empresa”, disse Crivellari. O crescimento deve se dar por duas vias: novas concessões e aquisição de outras companhias.

Apenas no ano passado, a Aegea arrematou oito dos 13 contratos firmados com a iniciativa privada no setor. A companhia está presente em 43 municípios brasileiros e atende a uma população de 3,5 milhões de habitantes. A expectativa de Crivellari é que haja um aumento nas concessões plenas (água e esgoto) nos municípios, ainda que concentradas na primeira metade deste ano, junto com parcerias público-privadas nos Estados para os serviços de esgoto.

A companhia é uma das interessadas na compra da CAB, que está sendo negociada dentro do processo de recuperação judicial de seu controlador, o grupo Galvão. Embora não tenham feito lance nos últimos dois leilões, Crivellari explica que isso se deu muito mais por uma questão de segurança jurídica do que por falta de interesse no ativo.

Ainda há expectativa de que a compra possa ser feita em condições mais seguras. A Aegea já deixou articulada com seus acionistas uma capitalização que viabilize o crescimento por essa via. A operação só será realizada, porém, se de fato as compras forem realizadas.

Uma parte da OAS Soluções Ambientais, à venda na recuperação judicial da OAS, também está na mira da Aegea. A PPP de Guarulhos, firmada para prover serviço de esgoto no município é de interesse da companhia, mas é outro caso em que espera condições de maior segurança jurídica para fazer oferta. A Samasa, concessão que compunha o portfólio da empresa de saneamento da OAS, já foi vendida para a GS Inima.

Até setembro do ano passado, a empresa acumulava um aumento de 30% na receita líquida, na comparação com o mesmo período de 2014. O valor totalizava R$ 563,5 milhões. O lucro líquido da companhia sofreu uma leve queda de 0,2%, para R$ 74,7 milhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) cresceu 34,5%, para R$ 221,9 milhões.

Essa matéria foi publicada originalmente no Valor. Para mais informações, clique AQUI.

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