Um levantamento realizado no sistema de informações do Ministério da Saúde (DATASUS) aponta que, em 2013, a taxa de internações por doenças diarreicas em Campo Grande foi 85,89% menor do que em 2003. A diarreia é um sintoma comum para diversas doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado. A melhora nos índices de saúde acompanha a evolução dos serviços de água e de esgoto da Capital.  Neste período, a Águas Guariroba investiu R$ 779,32 milhões no município.

O estudo cruza dados registrados no DATASUS (Departamento de Informática do SUS – Sistema Único de Saúde) e informações do IBGE (contagem da população). No ano de 2003, a taxa de internação por doenças diarreicas era de 157,4 a cada 100 mil habitantes. Em 2013, o número caiu para 22,2 a cada 100 mil habitantes. O documento está disponível para consulta no site da Águas Guariroba.

A redução na taxa de internação por doenças diarreicas acompanha a expansão do sistema de coleta e tratamento de esgoto. Nas duas primeiras etapas do Programa Sanear Morena, realizadas entre os anos de 2006 e 2013, o acesso da população da cidade ao serviço foi ampliado de 29% para 73%.  O sistema de abastecimento de água também foi ampliado e modernizado. Hoje a água tratada chega a 99,7% da população com regularidade. A menor frequência de falta de água reduz a necessidade do uso de fontes alternativas, como os poços particulares.

Os casos de diarreias são um indicador importante para avaliar os resultados do investimento em saneamento na saúde pública. Isso porque elas são sintomas de enfermidades que representam mais de 80% das doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado no Brasil, causadas por vários agentes patógenos, como vírus, bactérias e protozoários. Além da falta de acesso à água potável e esgotamento sanitário inadequado, condições precárias de moradia, higiene e contaminação por resíduos sólidos – o contato com lixo, por exemplo, são fatores que aumentam a incidência de doenças diarreicas. De acordo com a Unicef  (Fundo das Nações Unidas para a Infância), aproximadamente dois milhões de crianças morrem de diarreia todos os anos no mundo.

A Secretaria Municipal de Saúde confirma a redução no número de internações por doenças relacionadas a saneamento ambiental inadequado em Campo Grande. O órgão realizou um levantamento que leva em consideração o número de hospitalizações desde 2005, incluindo a Hepatite A. “Tivemos uma queda significativa. Em 2005, foram 689 internações. E com o passar dos anos, conforme o acesso ao saneamento vai aumentando, você vê que este número vem caindo, resultando em 128 internações em 2013”, aponta a enfermeira especialista em saúde pública Mariah Barros, gerente técnica de Doenças Imunopreveníveis da Sesau. A redução nas internações por Hepatite aguda A foi significativa: em 2005, foram nove casos de pessoas hospitalizadas pelo problema. Em 2013, foram apenas dois casos.

O médico e Secretário Municipal de Saúde, Jamal Mohamed Salem, reforça que o acesso ao saneamento adequado é um fator de prevenção que trouxe grandes benefícios à saúde pública “Encaixa-se justamente na medicina preventiva, que nós precisamos ampliar. Pelos dados que temos, sabemos como diminuíram as internações e os gastos com essas doenças depois que foi implantada essa porcentagem do esgoto”, destaca.

Impactos econômicos

O secretário destaca ainda que a redução das hospitalizações por doenças diarreicas impacta também nas contas da Secretaria Municipal de Saúde. “Quando se fala em prevenção, estamos falando de melhoria de qualidade de vida para o cidadão e também de economia, devido às muitas internações e tratamentos crônicos por falta desse tratamento de esgoto”, afirma Salem. De acordo com o levantamento realizado no DATASUS, houve uma redução constante nos gastos do SUS com internações por diarreias na Capital: de R$ 48.336,37 por 100 mil habitantes em 2003 para R$ 10.618,12 em 2013 – número 78,04% menor.

Segundo o presidente da Águas Guariroba, José João Fonseca, a meta da concessionária, que faz parte da Aegea Saneamento,  é universalizar  o serviço de coleta e tratamento de esgoto para toda a cidade nos próximos anos.  Para isso, estão previstos R$ 636 milhões em investimentos até 2025. “Mas a empresa já está antecipando cerca de R$ 100 milhões destes recursos para que a prefeitura possa realizar as obras de asfalto previstas no PAC II”, afirma.

Fonseca ressalta que a adesão à rede de esgoto e o fim do uso de poços irregulares também são pontos fundamentais para que os cidadãos possam usufruir dos benefícios do saneamento básico para a saúde. “Para ajudar nessa conscientização, investimos em educação ambiental nas escolas, ações de relacionamento com a comunidade e campanhas nos meios de comunicação. É preciso que cada um faça sua parte”.

Acesse o estudo completo no link: http://www.aguasguariroba.com.br/relatorio-reducao-doencas/

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