A Prefeitura Municipal e a Águas Guariroba – concessionária da Aegea responsável pelos serviços de água e esgoto de Campo Grande – firmaram na manhã desta segunda-feira, dia 11 de agosto, um convênio para ações de conservação dos recursos hídricos da Capital. Com a parceria, foi reativado o Programa “Córrego Limpo, Cidade Viva”, que além de uma rede de monitoramento da qualidade da água, promove o combate às fontes de poluição. Na ocasião, foi lançado ainda um novo programa: O “Ambiente Limpo”, que visa fiscalizar o uso indevido de poços.

O termo de cooperação mútua foi assinado pelo prefeito municipal, Gilmar Olarte, pelo diretor presidente da Águas Guariroba, José João Fonseca, e pelo secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, João Alberto Borges dos Santos. O evento, realizado na Avenida Nelly Martins, próximo ao Córrego Sóter, faz parte das comemorações pelo aniversário de Campo Grande – que completa 115 anos em 26 de agosto.

O prefeito Gilmar Olarte ressaltou a importância da parceria que reativou o Programa Córrego Limpo, criado em 2009 para monitorar a qualidade da água dos 33 córregos urbanos de Campo Grande. “Todas as ações estão sendo retomadas e serão ampliadas. Temos a maioria dos córregos em um nível bom, alguns regulares, mas queremos chegar a ótimo”, afirmou o prefeito, destacando que a responsabilidade de preservar os mananciais é de toda a sociedade. “Estamos sobre o Aquífero Guarani, que é um tesouro mundial. Por isso, precisamos cuidar muito bem do nosso solo e de toda a cadeia de meio ambiente”.

Córrego Limpo, Cidade Viva

Por meio do Programa Córrego Limpo, a Semadur procura identificar os locais onde há poluição ou degradação e combater as práticas indevidas. São monitorados 80 pontos estratégicos nas bacias do Anhanduí, Bálsamo, Bandeira, Botas-Coqueiro, Gameleira, Imbirussu, Lageado, Lagoa, Prosa e Segredo. As coletas e análises da água dos córregos são realizadas pela Águas Guariroba no laboratório da estação de tratamento de esgoto Los Angeles.

Os resultados são encaminhados para a secretaria de meio ambiente, que realiza o cálculo do Índice de Qualidade da Água e a classificação em ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo. As informações são divulgadas em placas às margens dos córregos. “O objetivo é que toda a comunidade faça uma reflexão sobre o que cada um pode fazer para preservar”, explica o secretário João Alberto Borges dos Santos.

Nas regiões onde o índice da qualidade da água é crítico, os agentes da Semadur intensificam o trabalho de fiscalização. “Muito dos níveis de contaminação se devem às ligações clandestinas de esgoto nas galerias de águas pluviais, que se destinam aos córregos. Existem ainda aqueles que jogam lixo”, afirmou o titular da Semadur. A Águas Guariroba dá apoio estrutural e fornece à secretaria informações sobre os imóveis que têm acesso ao serviço de esgoto, mas não utilizam a rede.

Na Capital, o esgotamento sanitário chega a 73% da população e está em constante ampliação. A conexão ao sistema público de coleta e tratamento de esgoto disponível é obrigatória, de acordo com a Lei Federal 11.445/07. Segundo o diretor presidente da Águas Guariroba, 100% do esgoto coletado pela empresa recebe tratamento. Por isso, os córregos da capital não estão “pretos” – diferente do que acontece em muitas cidades brasileiras, onde rios são transportadores de esgoto. “Ampliar a rede de esgoto ajuda a preservar os mananciais, evitando a contaminação dos córregos e do lençol freático pelas fossas”, destaca José João Fonseca.

Até 2025, a Águas Guariroba, concessionária da Aegea, prevê investir R$ 636 milhões para universalizar o esgotamento sanitário em todos os bairros da cidade. A população também tem um papel importante: utilizar a rede de forma correta. “Não pode jogar esgoto na tubulação destinada à água de chuva nem a água de chuva na rede de esgoto. Quando isso é feito irregularmente, quem acaba pagando a conta são os córregos”, destaca José João Fonseca.

Poços irregulares

A utilização dos mananciais subterrâneos em Campo Grande também passa a receber atenção especial e fiscalização mais rigorosa com o lançamento do Programa Ambiente Limpo. “O programa combate a prática indiscriminada de perfuração de poços artesianos. Aumenta a cada dia o número de empreendimentos que realizam a extração de água subterrânea sem nenhum critério”, afirma o Secretário de Meio Ambiente, João Alberto Borges dos Santos.  A Capital está localizada sobre os aquíferos Caiuá, Serra Geral e Guarani – este último considerado uma das maiores reservas subterrâneas de água doce planeta. As fontes subterrâneas representam uma importante reserva de abastecimento para o futuro.  “Este é um patrimônio de todos, não de alguns”, destaca o secretário.

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