O novo veículo global de infraestrutura do IFC anunciou seu primeiro investimento em água. O que o diferencia dos fundos convencionais de infraestrutura?

O Fundo Global de Infraestrutra (GIF na sigla em inglês) do IFC, de 1,2 bilhões de dólares, está prestes a realizar seu primeiro investimento no setor de saneamento até o final desse mês, anunciando a intenção de adquirir uma participação da concessionária brasileira Aegea Saneamento.

O GIF irá aportar até 25 milhões de dólares em conjunto com o IFC, em uma operação que será analisada pelo Conselho de Administração do IFC em 19 de dezembro. Os recursos serão destinados à expansão dos projetos brownfield da Aegea, particularmente nas regiões mais carentes de saneamento, como norte e nordeste do país. A estratégia da Aegea consiste em identificar concessões existentes que apresentam um fraco desempenho operacional, e adquiri-las de forma que aumente a eficiência da operação.

O acordo com o GIF chega semanas depois que o Fundo Soberano de Cingapura – GIC, o investidor âncora do GIF, anunciou que investiria R$300 milhões (cerca de US$129 milhões) do próprio bolso na Aegea.

O acordo com a Aegea é o terceiro do novo fundo do IFC, constituído em Outubro de 2013. Os recursos foram levantados com o GIC, que aportou US$1.2 bilhões, e mais nove outros fundos soberanos de demais nacionalidades, fundos de pensão internacionais, e US$200 milhões do próprio IFC. O recém constituído fundo de private equity tem vencimento em 12 anos e será co-investidor do IFC em companhias de infraestrutura e projetos em sociedades de propósito específico (SPE). Além do investimento na Aegea, o fundo se comprometeu com uma companhia de telecomunicação no Brasil e um porto na Colômbia.

“O GIF irá co-investir com o IFC, um agente que enfatiza fortemente a governança corporativa, meio-ambiente a padrões sociais, bem como a rigorosidade aplicada aos processos de due diligence”, afirmou o gestor do fundo, Darius Lilaoonwala à revista periódica especializada Global Water Inteligence. “A parceria entre o IFC e o GIF será um facilitador da difusão das melhores práticas aplicadas às respectivas indústrias nas mais diversas regiões do mundo. Nós esperamos que o nosso apoio e conhecimento ajude companhias como a Aegea a melhorar ainda mais suas operações, diversifiquem suas fontes de financiamento, e aumente o valor das companhias para os acionistas através da melhoria dos processos”, disse o gestor.

O fato que o GIF superou a meta inicial de volume do fundo de US$1 bilhão é uma amostra do forte apetite dos investidores por ativos de infraestrutura. Ainda em Outubro, o Global Infrastructure Partners – o maior agente entre os fundos de private equity de infraestrutura, constituiu seu segundo fundo contando com um volume de US$8,25 bilhões. Com tantos fundos de private equity transitando no setor de infraestrutura, qual é o valor adicionado para os investidores de um fundo gerenciado pelo IFC? “O GIF é único ao se alavancar no “rastro” deixado pelo IFC em mais de 100 países onde este atua, alocando capital em companhias com capacidade gerencial que outros fundos de private equity não seriam capazes de acessá-las”, explicou Lilaoonwala. “A experiência do IFC agrega valor aos países emergentes além dos BRICs”.

Apesar de sua forte conexão com instituições financeiras desenvolvidas, as taxas de administração cobradas pelo GIF segue o padrão de outros fundos de private equity. Diferentemente de outros fundos do setor, os investidores terão ciência sobre a alocação dos recursos bem como seus riscos associados, graças à política obrigatória de divulgação de informações impostas internamente pelo IFC: algo extremamente favorável na opaca transparência existente na indústria de fundos de private equity em todo o mundo.

A matéria foi publicada originalmente na Global Water Intelligence.

Share Button

Os comentários estão fechados.