Por Roberto Rockmann | Para o Valor, de São Paulo

A conta é velha conhecida. Para universalizar os serviços de água e esgoto em 20 anos, o Brasil teria de investir cerca de R$ 400 bilhões, cerca de R$ 20 bilhões anuais. O total investido por ano chega à quase metade desse valor, enquanto as deficiências do setor são visíveis: hoje, 120 milhões de brasileiros não têm esgoto tratado e 85 milhões não possuem nenhum tipo de coleta. Para reverter esse quadro, será preciso unir esforços dos governos e da iniciativa privada. Diante desse cenário de oportunidades, uma série de grupos privados já começa a ampliar investimentos e estudar diversas oportunidades de negócios, como concessões, locação de ativos e Parcerias Público-Privadas (PPPs).

No fim do mês passado, a Aegea, holding do grupo Equipav na área de saneamento, recebeu um aporte de R$ 300 milhões do GIC, fundo soberano de Cingapura, encerrando um ciclo iniciado em 2012, quando a empresa realizou um road show durante 15 dias na Ásia, Oriente Médio e Estados Unidos. Naquele momento, não havia mandato de negociação. Era apenas uma visita a 15 fundos estrangeiros para mostrar o modelo de negócio da companhia, que gere uma ampla carteira de soluções para saneamento. Em novembro passado, foi realizado um novo road show, com mandato de negociação de uma participação minoritária relevante na empresa.

Foram feitas nove propostas indicativas de fundos, sendo que três foram finalistas. O escolhido foi o GIC. “Nossa alavancagem, que estava em 2,4 vezes, caiu para 1,1 e nossa estrutura de capital ficou mais robusta, o que permite maior flexibilidade e que possamos começar a estudar a oferecer locação de ativos para clientes”, afirma Hamilton Amadeo, presidente da empresa. A Aegea está iniciando os estudos do modelo de locação de ativos para três cidades com mais de 500 mil habitantes.

A empresa, que hoje já representa 50% do faturamento do Grupo Equipav, pretende crescer com força até 2017. Hoje a companhia atende 700 mil clientes no Brasil. Em quatro anos, a expectativa é adicionar mais um milhão de clientes. A receita, atualmente em R$ 600 milhões, poderá dobrar. Além de novos negócios em locação de ativos e PPPs, espera-se crescimento das concessões. Em 2012, a empresa conquistou os serviços de 18 municípios, sendo 16 do Mato Grosso (Estado que não conta com uma concessionária estadual de saneamento). Nesse ano, foram dois, também do Mato Grosso. “Queremos fornecer um pacote completo de soluções”, diz Amadeo.

A OAS Soluções Ambientais, que ano passado conquistou sua primeira concessão plena na cidade de Araçatuba (SP), olha oportunidades nesse segmento nas cidades acima de 100 mil habitantes, além de Parcerias Público-Privadas. “Nosso modelo de negócio busca oferecer complementariedade, podemos participar de concessões plenas, parciais, em que apenas o serviço de esgoto é concedido, ou de PPPs”, destaca o presidente da empresa, Louzival Mascarenhas Júnior.

Para ele, a discussão se o atendimento será feito por um ente público ou privado já se tornou secundária. Nas projeções de negócios está incluída a conquista de novos contratos nos próximos anos. A receita, hoje em R$ 60 milhões, deverá crescer dez vezes e chegar a R$ 600 milhões em 2016. A companhia trabalha em três Procedimentos de Manifestação de Interesse (PMIs), ainda em fase inicial de estudos, que podem se tornar modelos de concessão ou PPP. O maior deles é o projeto para atender três cidades da região metropolitana de Belém, incluindo a capital paraense, que poderá se transformar em uma PPP envolvendo mais de R$ 5 bilhões em investimentos.

A CAB Ambiental opera quatro PPPs e 14 concessões. Seu foco é o interior de São Paulo, Mato Grosso, Santa Catarina e cidades do Nordeste, onde a empresa firmou a primeira PPP de abastecimento de água da região, voltada para Alagoas. A companhia, que fez sua listagem no Bovespa Mais em maio desse ano, recebeu um aporte da BNDESPar ano passado em troca de 33% de suas ações. Pelo acordo de acionistas, a abertura de capital na bolsa poderá ser feita em sete anos. A receita nesse ano deve ser de R$ 400 milhões a R$ 450 milhões.

“Até 2017, vamos investir R$ 1,2 bilhão em nossas 18 operações, o que deverá ter impacto sobre a receita”, observa o presidente da empresa, Mario Galvão. A maior operação atualmente é a concessão dos serviços públicos de Cuiabá, capital do Mato Grosso, onde serão feitos investimentos superiores a R$ 1 bilhão. “Há muitas oportunidades no setor, a demanda de recursos é gigantesca, só com parceria entre governos e capital privado o setor vai andar”, afirma Galvão.

A Foz do Brasil, empresa do segmento água e esgoto da Odebrecht Ambiental, está presente em 10 Estados e mais de 160 municípios brasileiros, atendendo 13,2 milhões de pessoas. A empresa está atenta a todas as oportunidades que possam contribuir para a ampliação da oferta dos serviços de água e esgoto no Brasil. No entanto, a Foz acredita que o saneamento, diferentemente de outros segmentos de infraestrutura, é focado muito mais na prestação de serviços do que na realização de obras.

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