Em 2006, quando a Águas Guariroba, concessionária responsável pelos serviços de água e esgoto de Campo Grande, criou o Programa de Redução de Perdas, os índices de perdas na capital do Mato Grosso do Sul eram altos no sistema de abastecimento da cidade: 56% da água produzida não tinha seu consumo registrado. Para reverter esse quadro, foi iniciada uma série de ações.

A cidade foi setorizada em cem distritos. Foram instalados macromedidores com telemetria e ainda 150 mil novos medidores. Centenas de válvulas com melhor regulagem foram colocadas em operação.

Os funcionários passaram a usar mecanismos modernos, como programas de georreferência portáteis, que funcionam como um estetoscópio médico podendo detectar vazamentos e problemas na rede apenas pelos ruídos. Um terço dos 750 colaboradores foi encarregado de ir atrás de irregularidades existentes entre os 685 mil clientes.

“Todos os grandes consumidores passaram a ser controlados por telemetria. Todas essas medidas fizeram nossas perdas, que eram de 56%, caírem para 22%”, afirma José João Fonseca, presidente da Águas Guariroba. Em três a cinco anos, a meta é fazer o indicador melhorar ainda mais e chegar a 15%, com um índice de fraudes, de 10%. Na metade da década passada, 30% das ligações de água tinham alguma irregularidade.

Esse número hoje caiu pela metade. Os vazamentos, que chegavam a 1300 por mês, caíram para pouco mais de 100. Foi construído um centro de controle operacional moderno em que todas as operações estão automatizadas.

“Nesse centro, os softwares estudam o histórico da demanda e do consumo e analisam qual a forma mais eficiente de se abastecer a cidade, melhorando a qualidade e trazendo ganhos de eficiência”, afirma Fonseca.

A empresa consumia 92 GW por ano em 2006. Hoje consome 76 GW por ano, mesmo tendo ampliado a ligação de água e de esgoto. Menores perdas significam menor consumo de energia elétrica, o que representa economia de R$ 1 milhão mensais na conta de luz. “Assim estamos mais preparados para sustentar os grandes investimentos necessários para a universalização dos serviços de esgoto, cujos investimentos são mais elevados”, aponta o executivo da empresa.

O faturamento bruto da Águas Guariroba deve passar de pouco mais de R$ 110 milhões em 2006 para R$ 343 milhões em 2013. De 2006 a dezembro de 2012 foram investidos na cidade cerca de R$ 550 milhões, sendo R$ 120 milhões em água e R$ 412 milhões em esgoto.

O tratamento e coleta de esgoto, que estava em 24% há dez anos, pulou para 72%. A expectativa é universalizar esses serviços bem antes de 2025, como estipulava o contrato. “Assim poderemos ter um acréscimo de receita de R$ 50 milhões ao ano com a maior cobertura do esgotamento sanitário”, destaca Fonseca, que esteve no início de outubro em Portugal, para conhecer um novo software de monitoramento da rede. Com o Programa Sanear Morena, lançado em 2012 e com previsão para contemplar três etapas, a Águas Guariroba pretende viabilizar o acesso ao saneamento básico para 100% da população de Campo Grande ao longo dos próximos anos.

A segunda etapa da iniciativa deverá ser concluída nesse ano. Já a terceira fase das obras do Programa terá início em 2014, incluindo a implantação de dois mil quilômetros de rede coletora de esgoto, 45 quilômetros de interceptores, 126 mil ligações domiciliares, além da construção de uma nova estação de tratamento de esgoto e ampliação de outras duas já existentes. A previsão é atender cerca de 240 mil pessoas nesta fase do programa. Ao fim das três etapas da iniciativa, a Águas Guariroba terá aplicado R$ 891 milhões em obras de coleta e tratamento de esgoto. No total, 562 mil pessoas serão contempladas com a ampliação da rede na cidade.

Os serviços de água e esgoto em Campo Grande são concedidos para a iniciativa privada desde 2000, quando foi pago um valor de outorga de R$ 65 milhões. A concessão, cujo prazo inicial era de 30 anos, foi estendida para 60 anos de duração.

Em 2005, a Aegea, holding de saneamento do Grupo Equipav, ingressou no capital da concessionária, se tornando o primeiro investimento do grupo no setor, que hoje detém 15% do mercado privado atuando em 26 municípios de cinco Estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Na semana passada, a Aegea anunciou ter fechado acordo com o GIC, Fundo Soberano de Cingapura, de incremento de R$ 300 milhões nos negócios de saneamento básico. (RR)

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