A análise relativa ao padrão de vida e à distribuição de renda dos brasileiros, feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ganhou um novo indicador, que leva em conta carências sociais da população, além da renda. O levantamento mostra que o número de pessoas consideradas pobres caiu no país.

Em 2011, 58,4% dos brasileiros apresentaram ao menos um tipo de carência entre quatro itens avaliados: atraso educacional, qualidade dos domicílios, acesso aos serviços básicos e acesso à seguridade social. Dez anos atrás, em 2001, esse índice era ainda maior: 70,1%.

Os dados fazem parte da amostra Síntese de Indicadores Sociais, divulgada nesta quarta-feira (28). De acordo com o IBGE, esta é a primeira vez que os dados de 2001, que compõem a base de comparação, são divulgados. Para isso, adaptou-se uma metodologia que mede a pobreza por meio de indicadores monetários e não monetários, desenvolvida no México.

Nos dois anos estudados, a carência de acesso a serviços básicos –água, esgoto, coleta de lixo e energia elétrica– foi a que mais atingiu a população: 32,2% em 2011. A situação mais crítica foi verificada na região Norte do país, onde 64,6% dos domicílios (chegando a 73% no Acre) não tinham os serviços básicos. Já no Sudeste, apenas 14,8% não contavam com os serviços.

Nesse caso, foram considerados carentes os moradores de casas cujo abastecimento de água não era realizado por rede geral; com descarte sanitário não realizado por rede coletora de esgoto ou fossa séptica; sem coleta de lixo direta ou indireta; ou, ainda, sem energia elétrica.

POPULAÇÃO BRASILEIRA, SEGUNDO CARÊNCIAS SOCIAIS E RENDA (EM %)

  • POPULAÇÃO BRASILEIRA, SEGUNDO CARÊNCIAS SOCIAIS E RENDA (EM %)Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2011/2011

O atraso educacional aparece na sequência, tendo atingido 31,2% dos brasileiros em 2001. Nesse caso, foram consideradas carentes crianças e adolescentes de seis a 14 anos que não frequentavam escola; pessoas com 15 anos ou mais analfabetas; e pessoas com 16 anos ou mais que não haviam concluído o ensino fundamental. A pior situação foi observada no Nordeste, onde 36,8% da população tinha atraso educacional. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, o índice verificado foi de 28%.

Na contramão desses números, a proporção de atraso educacional na região metropolitana de Fortaleza (CE) cai para 22,1%, enquanto no Estado de Minas Gerais sobe para 35,2%.

Para o instituto, a análise do padrão de vida da população vai além da questão dos rendimentos e envolve conceitos de qualidade de vida e exclusão social, como nível de escolaridade e acesso a serviços básicos de saúde. Ainda segundo o IBGE, limitar a análise da igualdade a uma única perspectiva (da renda, por exemplo) não garante igualdade em outras variáveis (como saúde ou bem-estar), já que dois indivíduos com rendimentos exatamente iguais podem demonstrar habilidades diferentes para usar essa renda.

“Os indicadores mostram uma queda na pobreza. Mais importante, no entanto, é ter uma ideia relativa da pobreza. Essa população está conseguindo acompanhar a melhora no padrão de vida da sociedade? A pobreza tem várias dimensões, que não só a renda”, afirma Bárbara Cobo, coordenadora de População e Indicadores sociais do IBGE.

No item qualidade dos domicílios, foram considerados carentes os moradores de casas com paredes que não eram de alvenaria ou de madeira aparelhada; com telhado cujo material predominante não era telha, laje ou madeira aparelhada; ou, ainda. com mais de 2,5 pessoas por dormitório.

No que diz respeito à renda, observa-se que, em 2011, 29,8% da população brasileira encontrava-se em situação de vulnerabilidade, ou seja, tinham rendimentos inferiores a 60% da média do país, que é de R$ 545 –o que representa renda mensal abaixo de R$ 327 (veja gráfico acima).

A partir da identificação das carências, o IBGE fez uma classificação da população

em quatro grandes grupos: vulneráveis por renda e por carências sociais (população com rendimento domiciliar, por pessoa, abaixo de 60% da média e com ao menos uma carência social); vulneráveis por carências sociais (população com ao menos uma carências, mas com rendimento domiciliar superior a 60% da média); vulneráveis por renda (população com rendimento domiciliar inferior a 60% da média, mas sem carências sociais); e não vulneráveis.

GRUPOS DE VULNERABILIDADE, SEGUNDO AS REGIÕES DO PAÍS (EM %)

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