Faz parte do folclore político local o dito segundo o qual obra enterrada não dá voto. Contudo, saneamento básico, além de fazer bem à saúde, é um bom negócio para as concessionárias privadas de serviços de água e esgoto. A concessão privada além de garantir fluxo regular de ingressos a longo prazo (de 20 a 30 anos, em geral), é rentável. A margem operacional de uma concessionária, medida pela margem Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, indicador que mede o lucro do negócio em si) não é desprezível.

“Nossa rentabilidade é estabelecida em contrato, uma concessão amadurece no quinto ano de vigência e a margem Ebitda de uma concessionária privada chega, em média, aos 45%. E quanto maior o investimento, maior a margem”, explica Yves Bessa, presidente da CAB Ambiental, uma empresa do Grupo Galvão. Nas concessões via parcerias público-privadas (PPPs), acrescenta, a margem vai a 70%, devido ao pesado investimento no início do contrato. Segundo ele, estas são as margens médias mundiais. Então por que as várias concessionárias públicas estão quebradas? Segundo Besse, é preciso ter eficiência operacional, o que poucas empresas públicas têm.

Em 2010, as filiadas à Associação Brasileira das Concessionárias Privadas dos Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon) investiram R$ 450 milhões na ampliação da rede e construção de estações de tratamento, entre outras destinações, afirma o vice-presidente da entidade, Paulo Roberto Oliveira. “Temos concessões privadas de diversas modalidades em 229 municípios, que atendem 9% da população urbana do país”, diz Oliveira. “Em 20 a 30 anos, o comprometimento baseado nos 214 contratos de concessionárias privadas existentes em 2010 é de R$ 8 bilhões.”

De acordo com Oliveira, nos próximos dez a 15 anos, as concessionárias privadas podem servir até 30% da população urbana. “Demanda existe. A participação privada nos serviços tem de ser divulgada e apoiada pelo governo federal. Marco legal para isso também existe”, garante. Para ele, os governos municipais precisam encarar as empresas privadas como parceiras que podem complementar seus serviços. “Das 26 concessionárias estaduais, só dez tem condições de investir. As demais são deficitárias”, avalia. De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades, aponta Oliveira, para universalizar o saneamento básico é necessário investir R$ 168 bilhões, mas os governos não aplicam mais do que R$ 8 bilhões anuais.

A Águas Guariroba, do Grupo Equipav, atende Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Em uma década de concessão, investiu cerca de R$ 517 milhões, de acordo com o presidente José João Fonseca. Desse total, R$ 319,5 milhões foram para os serviços de esgoto. “Antes do programa Sanear Morena (2006-2008), a rede de esgoto estava disponível para apenas 29% da população. Hoje, o índice de atendimento é de 62% e 100% do esgoto coletado é tratado”, afirma Fonseca. Ele acrescenta que o investimento mostrou resultados positivos: em 2009, a Secretaria Municipal de Saúde registrou uma redução 34% nos casos de doenças relacionadas à falta de saneamento em comparação a 2005. Até o final de 2012, promete, serão investidos R$ 42 milhões para levar o serviço de esgoto para 70% da população A ampliação e melhoria do sistema de abastecimento de água recebeu R$ 103,5 milhões, e outros R$ 94,3 milhões foram aplicados em ações especiais para garantir uma gestão mais eficiente.

“Gestão mais eficiente significa eficiência energética, redução de perdas, substituição de equipamentos, uso da telemetria, automatização da operação. Em resumo, tornar o sistema o mais econômico possível”, afirma o executivo. Com a detecção de vazamentos e fiscalização, a Águas Guariroba diminuiu a perda de água de 56% para 23%. Além de interligar todos os centros produtores para evitar falta d’água. Hoje, a cidade conta com um sistema de contingenciamento que possibilita o abastecimento 24 horas por dia mesmo em situações adversas – como períodos de estiagem.

Leia mais no site do Valor Econômico

Share Button

Os comentários estão fechados.