O Grupo Equipav, pertencente às famílias Vetorazzo e Toledo, promoveu uma reavaliação dos negócios e decidiu focar as operações no setor de saneamento, via holding Aegea. Passados cerca de dois anos desde a separação do grupo Bertin e da venda do controle dos negócios de açúcar e álcool para a indiana Shree Renuka Sugars, a Equipav quer voltar a investir, com atenção direcionada para infraestrutura.

Em entrevista exclusiva ao Valor, o presidente do grupo, Hamilton Amadeo, afirmou que a empresa pretende triplicar o tamanho dos negócios de saneamento até o fim de 2015. Para isso, projeta investimento de R$ 1,5 bilhão na Aegea, dos quais R$ 200 milhões serão voltados a aquisições. Segundo o executivo, o grupo está de olho em seis ativos.

Do total, apenas R$ 500 milhões virão do caixa próprio da Equipav. O grupo espera contar, em breve, com um reforço de capital na Aegea. Segundo Amadeo, o International Finance Corporation (IFC, braço financeiro do Banco Mundial) pretende fazer um empréstimo aproximado de R$ 100 milhões e ainda ter uma participação de um dígito na holding. A expectativa é que a operação esteja concluída até junho.

Da mesma forma, fundos de investimentos participam de uma concorrência para financiar a Aegea com outros R$ 100 milhões.

O executivo aponta que o endividamento atual da Equipav é baixo e gira em torno de 1,8 vez o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). A dívida líquida do grupo, excluindo o valor da usina Renuka, na qual detém 40,6%, e de duas rodoviárias, era de R$ 552 milhões no ano passado.

O faturamento da empresa somou R$ 851 milhões em 2011, também sem contar a sociedade em açúcar e álcool. A área de saneamento respondeu por R$ 446 milhões do montante.

“Hoje, 85% dos nossos recursos estão disponíveis para saneamento. Temos um plano agressivo nessa área”, afirmou Amadeo. “O grupo teve um freio de arrumação e ele funcionou. Agora tem que acelerar de novo”.

Atualmente, a Aegea atua em seis cidades – Campo Grande (MS) e Cabo Frio, Búzios, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia e Arraial do Cabo (RJ). E, de acordo com o presidente, a empresa deve ser em breve consagrada ganhadora da concessão para coleta e tratamento de esgoto no município de Piracicaba (SP).

A vitória marcará o retorno da Equipav a São Paulo, onde atuava em conjunto com a Bertin. O grupo ainda poderá dar “o troco” na Foz do Brasil, que também concorreu em Piracicaba e ganhou anteriormente a concessão para explorar o saneamento na zona Oeste do Rio de Janeiro, em consórcio com a Águas do Brasil (Saab). O contrato de Piracicaba prevê investimentos de R$ 300 milhões ao longo de 30 anos.

Além da Foz, figuram entre as principais concorrentes do grupo empresas como Solví, CAB Ambiental e a própria Saab.

Amadeo ressalta que a Equipav não tem uma região prioritária para atuação. Além de Piracicaba, a Equipav participa neste momento de concorrências para concessão plena em municípios de Rondônia e em Araçatuba (SP). A companhia também participa, em Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), de estudos e projetos referentes a coleta e tratamento de esgoto no Rio Grande do Sul, no Paraná e em Rondônia. Ainda nesse Estado, a Equipav tem projeto de coleta e tratamento de esgoto em Porto Velho. Parcerias público-privadas (PPPs) da Sabesp em São Lourenço e no litoral norte de São Paulo também estão no foco.

Diante dos planos de expansão, Amadeo já vislumbra um Ebitda na casa dos R$ 900 milhões para o grupo dentro de quatro anos, o que abriria possibilidades para uma abertura de capital em bolsa. A empresa está de fato se adequando para o padrão de mercado, mas a perspectiva de promover uma oferta pública inicial de ações (IPO, em inglês) ainda não integra seu planejamento estratégico.

Além das operações de saneamento, a Equipav atua nas áreas de mineração, engenharia, pavimentação e concessões em rodovias e terminais rodoviários.

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